(...)
"fez-se do amigo próximo, distante
fez-se da vida uma aventura errante
de repente, não mais que de repente"
Poeta, você que ainda está longe destes meus cem anos, perceba como eu cantei a vida. Como amei-a em cada boca, pele, poro. Como bebi de peito aberto a tristeza humana minha, do povo que me rodeia, e a trouxe à poesia. Mas, principalmente, observe como nada concluí: no máximo lancei indagações ao universo, imenso engolidor de desejos.
Você pode até afirmar, como meu amigo Bandeira, que tem todos os motivos menos um de ser triste. Mas não caia na grande besteira de achar que tristeza qualquer é poesia. Esta é um passo além: do que, do quem, do quando, do onde, do porquê.
Então, viva a poesia apenas quando ela resolver lhe bater à porta. E se ela não vier, deixe que a errância da vida te guie. Errar é um bom caminho. Se não trouxer acalanto, ao menos te fará botar olhos em outros detalhes da estrada.
com carinho,
V. de M.