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terça-feira, 15 de novembro de 2016

Apontamentos

Há quem diga, do amor, que ele é uma grande exclamação. Great!
Uns tantos afirmam de que se trata de uma interrogação. Será?
Tem gente que o prefere simples ponto final. Assim.

De minha parte, amor é reticências. Ao que parece...

[sobre obviedades, clichês e outras coisas ruins que se escreve sobre o amor.]

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Crise filosófico-político-existencial Ou O que se escreve nos dias de Inferno Astral

Crer no ser humano (fé, palavra emprestada da religião, sem outra utilidade que não a de temperar a vida a gosto), mas não na humanidade

ou

Apostar na humanidade (razão, palavra de reverberações filosóficas que se acha GPS útil para trilhar estradas desconhecidas), mas não no ser humano.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

man in festa

Talvez um maço só não baste. A casa é o pior lugar pra se esconder nestas horas, e a rua toda cheia de vazios deixa de ser caminho e passa a ser destino. Mesmo com o perigo do gás. Semana passada estouraram tanta bomba na Paulista que ela, uns instantes, virou nuvem. A gente nunca imaginou que andar nas nuvens seria assim. Sufoco.

Só o coração respira. Por isso não entendo como aquele mato crescendo na rachadura do viaduto resiste. Ali, no sentido Rebouças. Tem outros também. Tentei cortar uma vez - bastou um fim de semana e estava tudo igual. Não desisti: cortei outras tantas. Agora só tento evitar que ele cresça. Tem outros. Tem outros e o medo é que eles sufoquem como o gás. É perigoso porque não tem barulho. A bomba já bota a gente em sobressalto quando explode, todo mundo em disparada. O gás é depois, junto com o desejo de não ter olhos e garganta. Mas, como dizem, desejo é

Tem uns que são do tamanho de arbusto. Um famoso é o da ponte Cidade Universitária. Se atreveu a ficar bonito, ninguém mais tem coragem de cortar. Devem ter outros tão bonitos quanto. Só que: se não forem? Se crescem desgrenhados forçando rachaduras espaços boca nariz olhos? Se chegam ao coração?

Fumo é pra lidar com a ansiedade. E o medo. Deixei de lado o assassinato dos matos. Vai que - . E como meu destino não será tão cedo a casa, o cigarro ajuda a pastar o tempo. Acendo, olhos nos trilhos elevados do metrô.  Mais um na estação Vila das Belezas.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Anedota reflexiva ou direito à tristeza

(contém spoiler de Diverta Mente [Inside Out, 2015] e da minha vida)

É um filme de criança, mas eu chorei quando, em Divertida Mente, o Amigo Imaginário fica no depósito de lembranças descartadas para que Alegria consiga subir, achar Tristeza e retornar à Torre de Comando da cabeça de Riley. Uma criancinha do meu lado, com seus, sei lá, quatro anos, adivinhando meus soluços, perguntou baixinho: "o seu também caiu lá?". Não sei se viu meu sorriso frouxo e o leve aceno de cabeça, mas a garotinha, cara de quem receia perder algo, enroscou-se no próprio peito, como se abraçasse alguém.

A verdade é que não lembro de ter tido amigos imaginários - se houveram, estão no limbo das lembranças que não mais acesso. E acho importante, talvez a parte mais importante do filme da Disney-Pixar, a reflexão sobre o papel da tristeza na formação da nossa personalidade. Sobretudo nos corridos dias de hoje, em que a tônica do ser feliz a todo e qualquer custo é a bandeira que muitos carregam. Interessante também é o fato de ser um filme para crianças que propõe tal reflexão. Talvez os pais, tios (como é o meu caso) e adultos em geral tenham sido pegos de surpresa pela mensagem nada implícita do filme. Sim: só a Alegria no comando faz a gente fazer burrada. Sim: Tristeza é importante porque nos dá clareza quanto ao que fazer. Sim: Tristeza e Alegria não se anulam. Tudo talvez muito óbvio mas, como minha irmã adora dizer, o óbvio precisa ser dito. Entendê-lo faz parte do processo de amadurecimento.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Todavia, a vida

A poesia de Michele Santos já esteve em sala de aula comigo, sem eu a perceber. Em 2013, ano ímpar que marcou o início do retorno do meu Saturno, sua voz aguçava os ouvidos dos meus estudantes em uma aula que preparei sobre o cenário dos saraus nas periferias de SP. Mas foram os cavalos que atraíram meus olhos às suas palavras:

 "Como se doma a alma
 de quem carrega cavalos
 no peito?"

Sabe aquelas coisas que a gente ouve e fica, durante muito muito tempo, reverberando no de-dentro da gente? Pois. E não foi diferente com seu primeiro livro, Toda via,, lançado há pouco menos de um mês. Já o li na sequência e fora dela, no trabalho e em casa, em voz alta para amigos e para mim mesmo. E não há nada que o faça calar no aqui dentro. Ainda bem, porque poesia boa tem que permanecer na gente.
Ler Toda via, é um esforço de sentidos. Está além de olhos (como fala Janaina Moitinho no prefácio) e ouvidos (alguns me dóem  na pele ("Cão", "Othelo's")). Seus poemas pedem mais que um raciocínio cerebral, obrigam a gente a ler com o coração - e ler com o coração é por o músculo em exposição, vulnerável às adagas da dúvida, à mercê de um atropelamento na BR-316. Mas o risco vale - e muito - a pena.
O livro nasce com uma madureza pouco comum às primeiras obras. Isto mostra o empenho e dedicação ao ofício de poeta de quem traz a palavra na pele. Tem um quê de um versinho do Bandeira ("a vida inteira que podia ter sido e que não foi"), mas, creio eu, muito mais daquilo que pensa Hilda Hilst acerca da poesia: 

"[o poema] é como um soco. E, se for perfeito, te alimenta para toda a vida. Um soco certamente te acorda e, se for em cheio, faz cair a tua máscara, essa frívola, repugnante, empolada máscara que tentamos manter para atrair ou assustar"

Acerta a gente em cheio a poesia dessa moça. Serve como as melhores roupas, as melhores carapuças. Flui em nós espontânea como parte da própria vida. Grande estreia. Dada aos bifes, só nos resta partilhar da mesma entrega. Demo-nos também.



final de dezembro de 2015

sábado, 19 de setembro de 2015

textos voantes

(algo como uma prece pros próximos anos)

Tomo longos goles do líquido escuro que brota do meu peito. Deixo-os escorrer da camisa branca à folha amarelada. Não sempre mas deste contato tão prosaico sai, par em par, umas asas coloridas. Borboletas, eu sei. E rio feliz porque aprendi: onde há borboletas há também nascentes.

***

Da memória sexagenária aos futuros planos abortados, tudo no aqui-dentro - quero costurar umas asas bem bonitas. Fazer voar as dores, deixar o amor conhecer a estratosfera. Assim: no espalho quem sabe eu me acho. E encontre quem me junte.

***

Dizem: a poesia é livre.
Mas o poema é ave em cativeiro.
(são os únicos - os únicos - pássaros que gostam de gaiolas).

***

Melancólico é o coração-árvore com desejo de asas
ave-
    -nturas.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Auto-ajuda

Preste atenção, Dolores.
Certas coisas são tão claras de entender que você nem se dá conta. Aprenda a enxergar.

- A próxima temporada do seriado que você acompanha não estará disponível amanhã no Netflix só porque você está deprimida;

- Se você esquecer o arroz enquanto fala ao telefone, é provável que fique sem parte do jantar;

- Ser mulher não te livra de ser machista;

- Ser negra não te livra de ser racista;

- Ser gay não te livra de ser homofóbica;

- Mas se você não é mulher, negra ou gay, pense bem antes de falar qualquer coisa a respeito (considere que ficar calada, às vezes, é o melhor que você pode fazer);

- Não meça as pessoas. Elas têm o tamanho que conseguiram atingir. Algumas maiores que você. Outras, menores. Você não poderá esticá-las. Além disso, você não é régua para servir de parâmetro para ninguém;

- Legião Urbana não é remédio;

- Trabalho não é remédio;

- Beber e fumar não é remédio (mas é mais gostoso que trabalhar e ouvir Legião);

- Pense algumas merdas de vez em quando, mas lembre-se: o facebook não é o pinico onde você se alivia;

- Falando em face, você nunca terá certeza de que suas indiretas acertarão o alvo (porque são indiretas). Aceite isso e deixe de drama, ou passe a mandar diretas;

- Nem sempre as nudes serão retribuídas;

- Cavaleiros do Zodíaco é só um desenho que fez sucesso na década de 90, feito para crianças da década de 90. Não espere que os adultos dos anos 2000 tenham os mesmos princípios morais e éticos daqueles jovens guerreiros de armadura;

- Há amigos que sabem no que você é boa. E há amigos que sabem que você é boa pessoa. Os primeiros só aparecem quando precisam. Os segundos não desaparecem;

- Aliás, não é Amizade se as partes envolvidas só se veem quando uma precisa da outra, ou quando só há uma parte interessada. O nome disso é negócio;

- A religião até te ajuda nos momentos de crise, mas você a ajuda muito mais;

- Regue as plantas, principalmente se você for, além delas, o único ser vivo da casa;

- Existem os que sabem explicar as vitórias-régias, e  outros que sabem ser como elas; escolha, então, entre quem é só discurso e quem é prática de verdade;

- A alegria é cega. A tristeza é muda. A raiva é surda.

- Se você anda sofrendo demais, desconfie. Pode não ser amor.

- Suas palavras não vão mudar o mundo. Nem as palavras de ninguém. Mas o seu lápis na mão de uma criança - também não. Agora, se você for capaz de se mudar a partir do lê e ouve, eis aí uma esperança (ou uma desgraça);

- Falando em palavras, o jornal é tão fantasioso quanto a ficção. Leia o que te dá maior prazer;

- A mulher que você precisa ser só surgirá quando a menina morrer. Por isso, sem cerimônias, mate a menina.

Textos de auto-ajuda são como fadas. Bonitinhos. Até inspiradores. Mas só são reais no mundo da fantasia. Se você quiser acreditar neles, vá em frente. A queda e o choro são por tua conta.



sábado, 24 de janeiro de 2015

breve crônica acerca dos primeiros dias de 2015

Viajar devia ser verbo transitivo direto. Tipo assim: eu viajo lugares, viajo pessoas e histórias. Também viajo línguas, viajo olhares, viajo lábios, viajo poemas. Viajo os cavalos de meu peito - imagem que roubei duma viagem que andava sonhando fazer.

Veja bem: acho (só acho) que viajar é mais o de dentro. A paisagem exterior é só uma tentativa de tradução desse idioma que carregamos quando colocamos os pés na estrada.

E talvez o principal: viajar nem sempre é se encontrar, mas é sempre se perder, chistes que a vida prega.



Ponte de acesso ao forte de São Matheus,
Cabo Frio-RJ. por Acacio Santos

sexta-feira, 28 de março de 2014

Perguntas (retóricas) de um homem que questiona seus privilégios

Já nos disseram que precisamos raspar os pêlos, cuidar do cabelo e do corpo e se preocupar com as rugas?
Já nos indicaram a roupa que devemos vestir, como nos comportar?
Já nos pediram para sentar de pernas cruzadas?
Nossos corpos já foram objeto de desejo em propagandas de carro e de cerveja?
Precisamos ser bonitos e gostosos para sermos ouvidos?
Sugeriram alguma vez que nossa raiva ou estresse ou qualquer outro sentimento tivesse ligação com alguma causa biológica - TPM?
Já nos disseram que, para sermos completos, era necessário termos filhos?
Já culparam o nosso sexo pelas barbeiragens no trânsito?
É comum sermos assediados na rua, mesmo andando sem camisa ou de cueca samba-canção?
Aliás, já assobiaram ou gritaram baixarias para nós, justificando que gostamos dos "elogios"?
Nossa bunda é olhada na rua como se fosse um pedaço de carne a ser devorada?
Já disseram que precisávamos de um vagão especial em trens para não sermos assediados (como se fôssemos nós os culpados)?
As roupas que usamos (ou a falta delas) já foi considerada convite a uma apalpada, um encostão, uma encoxada?
Quantas vezes já fomos encoxados em ônibus?
Já andamos de madrugada, sozinhos, com medo de sermos estuprados?
Alguém do nosso gênero já foi culpabilizado, aliás, por uma violência que sofreu, só porque estava com uma roupa "inadequada"?
Já nos classificaram em grupos de "pra casar" e "pra curtir"?
Somos chamados de "vadios" quando temos várias parceiras?
Somos condenados por transar no primeiro encontro?
Temos quantos casos de fotos íntimas de espécimes do nosso gênero vazadas na internet?
Temos uma religião que tivesse nos condenado à inferioridade e justificasse nossa submissão?

Só nos disseram que não devíamos chorar, porque isso é coisa de mulherzinha; que devíamos pegar quantas mulheres fossem possível (e contar depois aos comparsas), e que devíamos espancar qualquer homem que se comportasse como mulher... É. É a mulher que tentamos matar em cada homossexual que apanha.

Se ainda falta clareza ao recado, vai a dica, papo reto: o primeiro passo para romper com o machismo é reconhecer os privilégios que temos só por sermos homens. O segundo é lutar por um mundo em que não haja distinções entre Santa-Marias e Madalenas.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

das brincadeiras inúteis da internet


"- Não. - disse alto, falando consigo mesmo. - Tenho de poupar minhas provisões. Quem sabe quanto tempo isso vai durar."

A história sem fim - Michael Ende (SP: Martins Fontes, 2010)

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

nota sobre um cliché

Quando você foi, a  Ausência veio ser minha companheira, e o silêncio é o idioma que juntos aprendemos a falar.

Vez-em-quando poesio para ensinar a ela que não estamos sós. O silêncio tem muitos dialetos, mas poetar é sempre língua universal.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Nota inconclusa sobre o que sou, o que somos

Pergunto-me já há um tempo se o que fazemos no campo das artes - este nós implícito é um imenso EU periférico - pode ser medido pela mesma régua com que se mede a dita arte produzida pela e para as elites. Não que um burguesinho não possa vir aqui apreciar um espetáculo da Cia. Humbalada e achá-lo interessantíssimo. Seu aporte de análise, sua régua seria a mesma utilizada para avaliar um músical Brodway ou uma peça dos Sátyros, compreendido os devidos campos de produção de um e outro espetáculo. Mas tal régua seria o melhor instrumento para avaliar uma produção não só marginal por ser produzida na periferia, por membros dela e para ela, e sim por se conceber, na relação discurso-estética, uma obra periférica?
"Antígona, a mulher marginal" me colocou a questão de forma mais evidente. Qualquer crítico poderá vê-la somente como teatro-performance. Quem é daqui, porém, tem uma porta a mais para acessá-la. E só quem entra, talvez, consiga de fato compreender a dimensão que este espetáculo tem.

domingo, 6 de outubro de 2013

Ilusión

É. Você vê um fiapo de luz no fim do horizonte e pensa "bem, agora é um caminho novo que se abre", e vai alimentando e sonhando e tals. Daí, numa tarde de domingo (e tinha que ser no domingo!), na terra de meus sonhos literários, do Caio que nunca saiu das primeiras páginas dum livro que nunca foi acabado, você vê que a luz é um trem na sua direção. Em formas de pôr-do-sol. So sad.

E aí, vida: nem uma ilusão?


domingo, 1 de setembro de 2013

Quimera

Posso eu pedir rendição à ti, vida? Dizer, simplesmente, "me rendo. Você venceu." Não seria sábio aquele que reconhece a superioridade do inimigo? Sua arma, minha cara, é invencível: não me negas o amor, somente proíbe-me revelá-lo. E se há coragem no nobre ato de lutar pelo que se quer, não haveria também, e em maior grau, na ousadia de desistir do que mais se ama?

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Dia de mentira

Digo que estou feliz (e na verdade é a tristeza espaçosa que m'embala). Que saio ao teatro ou a eventos importantes para minha formação - eu, que deformada estou pelas circunstâncias -  com amigos, amiga (e não saio, somente espero e recebo a visita da solidão). Digo tudo ao contrário para que te sintas bem, neste dia outrora especial. Te engano, sem saber que me conheces e sabes muito mais do que gostaria que soubesses. E finjo como o poeta português, para ti tão poeta, tão importante para mim.
Mas eis que a noite vem, o silêncio chega e um abraço, em reais braços, faz o dia findar. Passando a meia-noite não preciso mentir; a segunda é questão de horas.

domingo, 23 de junho de 2013

domingo, 19 de maio de 2013

Apropriação Indébita ou Sobre os ombros de Drummond

Sempre que lhe faltar as palavras, diz o onisciente narrador em mim, recorra aos versos de Drummond. Em um deles estará escrito exatamente o que quer dizer.


Os Ombros Suportam o Mundo
Carlos Drummond de Andrade


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teu ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

(in Sentimento do Mundo)

domingo, 7 de abril de 2013

frame by frame

Cada enquadramento, captado na ingenuidade dos momentos, revela as verdades possíveis. São eles, os momentos, que contam o que muitas vezes ignoramos, ou preferimos ignorar. E só quem reparar na delicada relação presença/ausência saberá compreender as estórias.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Brilho eterno de uma mente sem lembranças em umas poucas palavras


Às vezes o fim estava no início, mas não nos damos conta... Às vezes o recomeço está no fim e igualmente não percebemos.