quinta-feira, 30 de outubro de 2014

(sem título. da série "salão de festas da palavra")

vem
a noite, cheia de confetes, canta nos olhos. a música ri em ouvidos solitários que andam sem sul. hoje é festa. a brisa, um chamego amigo. as luzes todas enfeitam este corpo que te chama. eis meu convite.

hoje é festa e alegria será quando os céus encontrarem-se e os chãos se perderem (dança de loucos que à madrugada se revelam). o tempo é ameno e de lágrimas, mas também de boa gargalhada. vem

que é a hora do presente. amanhã, o sol. ontem, só chuva. hoje,  esta imensa flor que desabrocha em meu peito. é sua.

o pássaro dança vermelho no céu, à espera de você chegar, pra enfeitar minha janela.

Aguardo.



(acho que isso cai bem com o final de Asas do Desejo)

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Resposta

(ao Thi.
algumas de nossas discussões dão flores. Eis uma delas.)

melancolia
às vezes a própria terra,
outras o adubo dela.
lótus que nasce em charco
planeta que a tudo encerra.

um livro de clarice,
o próprio riobaldo tatarana,
um blues azul,
uma dança cigana.

é também falta e silêncio.
tarde de domingo e
madrugadas sem sono
conversas com o espelho
dias de outono.

e inverno.
corpo pesado, pêlos em riste.
talvez um riso amarelo
e olhar baixo,
louco e inquieto.

mas sobretudo certeza
de que é o que prepara a terra:
semente escondida na flor
donde surgirá a primavera.

domingo, 24 de agosto de 2014

(sem título. da série "salão de festas da palavra")

pássaro vermelho que dança no céu
cantou em meu peito por toda a noite mal dormida.

suspeito que se inspira nos sonhos que me roubou.

Poética

não quero verso.
quero prosa corajosa que tente atar em linha única todas as pontas e os nós da poesia.

domingo, 17 de agosto de 2014

A Deriva

barquinho que agora vaga no mar calmo passou por tempestade que pôs medo até em monstros abissais, daqui pra cá, dali pr'além, sem poder voltar, longe de porto de píer de cais, noites afora, dias adentro, grafite elas, eles cinza, molhados todos de lágrimas água e sal, e segue, e sangue, e segue aqui ali além, não aquém, fosse ser vivo, o barquinho, seria toupeira em terremoto, mar turvo, tons de negro e gris, por um nada se agita, e a tempestade foi das grandes que nunca ninguém viu, só relatos, marinheiros que aumentam e inventam.
agora é calma. o céu, anil infinito. a água, um grande espelho azul-sólido e eterno. os ventos esqueceram-se de batalhar: tiram um descanso na manhã que acorda ainda sonolenta. o sol é grande e amarelo, e sobe no céu como quem não tem nada a fazer a não ser olhar minucioso a paisagem. é mar. por todos os lados: mar. até onde a vista desiste de alcançar. sem nem sonho de areia branca ou colorida falésia. nada se mexe sob e sobre a superfície líquida. nem o barquinho. principalmente ele. o ar quente e tenso parece morto. e seu corpo pesa. pesa e mais imobiliza. o sol continua a lenta escalada. e nem ainda é meio-dia.



sábado, 9 de agosto de 2014

Frio e flores

pro meu amigo, meu irmão, Alê

Ainda que meus olhos insistam em mostrar invernos, seu carinho faz-me florescer primaveras no peito.