quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

das brincadeiras inúteis da internet


"- Não. - disse alto, falando consigo mesmo. - Tenho de poupar minhas provisões. Quem sabe quanto tempo isso vai durar."

A história sem fim - Michael Ende (SP: Martins Fontes, 2010)

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Advertência

Comecei um soneto
como quem procura em correntes um caminho.
Eis, porém, que o sol rugiu vermelho na aurora:

A estrada é outra, poeta.
Sinta o vento e
lance ao olvido o tempo de prisões.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

nota sobre um cliché

Quando você foi, a  Ausência veio ser minha companheira, e o silêncio é o idioma que juntos aprendemos a falar.

Vez-em-quando poesio para ensinar a ela que não estamos sós. O silêncio tem muitos dialetos, mas poetar é sempre língua universal.

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Hoje

Hoje deixo as palavras por conta própria
elas não precisam de mim
do trato e do carinho que ofereço

deixo
e vou ao encontro dos meus
no barracão
no busão
no vagão
lotados
de sonhos que forram a terra
cobrem o teto
seguram-se em barras
                     paralelas
e nadam em rio sem vida

daqueles que tornam a luta
gesto maior que um pronome
mão quente acariciando o rosto
atravessando a madrugada fria

hoje sou mais um e vou
na multidão
dos que me tornam palavra
e concedem-me este carinhoso gesto solidário

vou e converto-me em poesia de luta
que, mesmo sob a eterna falta do poeta
concretiza-se
em lona, canção, cadeia
dia-a-dia.


sábado, 9 de novembro de 2013

Montauk

Deu branco, se diz do que não lembra
palavras esquecidas (canções de ninar ao telefone)
choro entalado

Nuvens em céu claro: brancas
é o futuro que passa sem cair no chão
chuva dissipada pelos raios - brancos - do sol

Branco de roupas no varal
longínquas tardes em praça inventada
amizade aquecida pelo abraço alvo do tempo

Areia branca de neve em Montauk
sons espumosos no mar
vento acompanhando o amanhecer

set-light redondo sobre o rosto: branco
segundo-plano desfocado
ninguém vê o que se perde

Branco, fade-out demorado
prenúncio do fim ou de uma nova sequência
expectativa dentro do vaso vazio.

Enfim, branco da memória
luz dura incidindo sobre a cabeça
e o mundo todo é azul.

Carrego-as assim, as lembranças:
talhadas em geleiras eternas
brancas, alvas lacunas.