sexta-feira, 14 de novembro de 2014

dos dias em branco que precisam ser pintados

aquele beijo passou a fazer parte de mim, do meu corpo, como tatuagem. não: como cicatriz. cicatrizes, aprendi com os Cavaleiros, são troféus de batalha.

foi a melhor luta que travei.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

sem título (da série "salão de festas da palavra")

é meia noite e a vela ainda expele um aroma carmesim. há muito as taças estão secas. pratos vazios enfeitam a pia. no quarto, não fossem três a arfarem ligeiros, o silêncio seria um deus absoluto. só a playlist parece infatigável.

os restos ficam pra amanhã.

Poética

veja bem:
a poesia pode não ser nada além da coceira que fica ao final do poema.

sem título (da série "salão de festas da palavra")

meus olhos te quiseram. o corpo te quis mais que os olhos. no clima de banquete meus passos se alentaram para que me alcançasse. e teus braços cantaram em meu encontro .

banquete sim, mas pós-moderno. você não se atentou. fez-se nuvem e eu deserto. ou o avesso. tudo o que abundava na mesa não era mais que instante. sumia. e mesmo assim -

noite longa. danço leve com minhas asas vermelhas. você: sofá, convite a piquenique matinal. eu, essa íris jovem e radiante. você era um jazz; eu, stand up comedy. era eu a sede e você queria ser rio. até podia saciar-me se assim eu desejasse. atravessei-te em mim. mas você não percebeu: quis-te como quem precisa de copo em noite de festa (banquete pós-moderno),

descartável. do presente, captei apenas os adornos da embalagem, o mistério do de dentro. se houvesse felicidade ou pingente banhado, pouco importava. a beleza da forma das nuvens, não seu conteúdo de chuva. a-
cumulus,

(como explicar minha necessidade, não de água, mas de copos? com alguns demorei-me mais que o preciso às mãos.) você, o rio.

fluía. a noite, a água, a areia, o banquete. não estava mais comigo. estava em mim (nuvem medíocre). meus braços cantaram o teu adeus. então senti todo o lixo sob meus pés.

isto posto

amor:
ontem, silêncio que cobria meu corpo;
hoje, grito que ecoa no súbito vazio da cama.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

(sem título. da série "salão de festas da palavra")

vem
a noite, cheia de confetes, canta nos olhos. a música ri em ouvidos solitários que andam sem sul. hoje é festa. a brisa, um chamego amigo. as luzes todas enfeitam este corpo que te chama. eis meu convite.

hoje é festa e alegria será quando os céus encontrarem-se e os chãos se perderem (dança de loucos que à madrugada se revelam). o tempo é ameno e de lágrimas, mas também de boa gargalhada. vem

que é a hora do presente. amanhã, o sol. ontem, só chuva. hoje,  esta imensa flor que desabrocha em meu peito. é sua.

o pássaro dança vermelho no céu, à espera de você chegar, pra enfeitar minha janela.

Aguardo.



(acho que isso cai bem com o final de Asas do Desejo)